terça-feira, 18 de outubro de 2005

Blindness
Sob a luz de uma vela que mal consegue iluminar a si mesma, escrevo, imerso em tédio de umas 4 horas sem energia elétrica, possesso de sentimentos dos mais primitivos: a raiva e a inveja (o vizinho da casa em frente está há horas desperdiçando o que pra falta mim, arrancando barulhos ininteligíveis na maior desarmonia que em toda minha vida já presenciei).
Sim, sou escravo e dependente químico assumido das comodidades dos dias atuais. Me banir da civilização, só por opção. E é por falta dela é que me encontro aqui, de mãos atadas, vendo(ou não) meus peixes morrerem afogados(entende-se asfixiados), e com a mão esquerda doendo de tanto apertar a lúdica "lanterna azul do meu celular". Ao menos para isso ele haveria de servir um dia. Diga-se, a bateria já está pelas últimas. E o vizinho continua a lutar com seu instrumento satânico(somado à frivolidade), que repete a mesma música(?) a cada intervalo de tempo.
Ainda sobre a vela. Ela parece rir de mim. Só agora que notei seu nome: KILUZ. Eu que o diga. Kiluz, kisom, kinoite.
E vejam só! A música mudou! Aliás, não, ainda não obtivemos essa vitória. Continua a mesma, está mais lenta, bem mais lenta. Quem diria: o Rambo vencido pelo cansaço.
Ele me interrompeu, perdoe-me, velinha(bem mais inha nesse momento). Em cima do pavil parece ter um espiral meio concha de caramujo, e ao redor, claro, a sórdida chama. Lembrarei de NUNCA MAIS comprar desse esqueiro-vovô-em-pele-de-vela.
Despeço-me às escuras. Sim, de forma bem romanesca e sentimentalóide: à luz de velas(e uma só), fortemente amparada por um Neo 1999.
A.
Ps: A música voltou com força máxima.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Mortal
"Então tá, então". Assim tudo começou. Palavras escassas, advertidas e recheiadas de intenções. Boas intenções.
Centenas, não. Milhares. Milhares de segundos. Segundos medem tudo aquilo que escorre pelos braços, 60 vezes maiores, dos minutos. Um segundo pode durar uma eternidade. Um minuto não.
Escatologicamente idealizada. Sim, idealizada. O problema estava aí.
"Então tá, então". Assim tudo acabou.

A.

domingo, 24 de abril de 2005

Poemas não são para serem publicados

Poemas não são para serem publicados
poemas são Drag Queens
rolando piteiras em puteiros
ou somos nós,
poetas velhos de caras borradas
poetas de cinco centavos

Poemas não são para serem publicados

Poemas são para serem escritos
às vezes rasgados
às vezes guardados
Podem ser confessionais,
imorais de vanguarda
Podem ser apenas
a voz humílima do guarda
Podem ser criança

Mas em Geral
são sem esperança
de serem publicados
Poemas custam caro
e não fazem o mesmo efeito de um choque
não fazem o efeito de um baseado
Poemas não servem para trepar
nem nada

Nem sequer tente publicar seus poemas
faça-os voltar calados às gavetas
Com eles ninguém se meta

Dormirão como dormem os drogados:
tristes, gelados, pesados
mas serão sempre únicos
Sempre ineditamente mediúnicos

Sempre salvos das graças das prebendas
Sempre coisas pudendas (ainda que sujos)

Poemas, sempre úmidos
Noviços, fim de feira
maus de venda e de vida.

Não são nem mesmo um incentivo à leitura,
pois quem vai ler linhas quebradas
oriundas de alma idem?

Renata Pallottini

sábado, 12 de março de 2005

Pariah
Depois de incomensurável tempo, minha capa vermelha voltou da tinturaria. Com alguns defeitos, confesso, mas o suficiente para eu me apresentar.
Alilás, ô vidinha difícil, essa de super herói. Ingrata. Levamos a culpa sem tirar proveito.
Fortress of solitude, tô indo.
Tu tu tu tu (...)
A.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005

Sightless

Mesmo sem a total presença do mais importante dos sentidos (pelo menos pra mim), cobiço parte da minha futura atenção, mais uma vez.

Esse negócio de digitar sem olhar tinha que servir pra alguma coisa. Mas erros em potencial ainda não consigo prever.

Ainda bem que, teoricamente, só enxergo 24 quadros por segundo.

A.







sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

Evil

Se trocasse o nome ia ficar igualzinho! =D



Soraia - Zéu Britto



Eu queria ter um lança-chamas

Eu queria ter uma fogueira

Eu queria ter somente um fósforo

Eu queria ter uma vela acesa



Pra queimar Soraia

Pra ver torrar seu couro

Pra deixar somente o osso

exposto ao Sol



E depois da meia noite

Soraia vai voltar

Ela vem toda queimada

Se vingar. Se vingar



Eu quero ver

Soraia Queimada

Soraia Queimada

Por que Soraia me queimou



Eu queria ácido sulfúrico

E um litro de álcool Tubarão

Eu queria uma tocha iluminada

Pra deixar Soraia igual carvão



E depois da meia noite

Soraia vai voltar

Ela vem toda queimada

Se vingar. Se vingar



Eu quero ver

Soraia Queimada

Soraia Queimada

Por que Soraia me queimou.



E doeu.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2005

Hidden

Sala da Justiça, ramal 35, Mulher Maravilha falando, em que posso servi-lo? Super André saiu de manhã e não sabe quando volta. Quer deixar recado?!



I can't stand to fly, I'm not that naive, I'm just out to find the better part of me.

I'm more than a bird... I'm more than a plane.

More than some pretty face beside a train.

It's not easy to be me.



Wish that I could cry.

Fall upon my knees.

Find a way to lie.

About a home I'll never see.



It may sound absurd, but don't be nieve.

Even heroes have the right to bleed.

I may be disturbed, but won't you concede.

Even heroes have the right to dream.

It's not easy to be me.



Up, up and away. Away from me.

It's all right. You can all sleep sound tonight.

I'm not crazy. Or anything.



I can't stand to fly.

I'm not that naive.

Men weren't meant to ride.

With clouds between their knees.



I'm only a man in a silly red shee.t

Digging for kryptonite on this one way street.

Only a man in a funny red sheet.

Looking for special things inside of me.

It's not easy to be me.



Superman, Five for fighting.

domingo, 9 de janeiro de 2005

Angry

Oi?!

Alguém por aí?!

Tudo bem?

Então tô entrando...

Eu vi, eu vi. O que? Não sei, mas eu vi, juro que vi! Ah, tudo bem. Ninguém disse que você não viu. Ah bom. Mas aí, o que você conta? Não sei, nada de mais. E aquela viagem? Ah, talvez sáia, talvez não. E sua família? Tá bem. O emprego? Ah, também tá. Então é só isso? Tá, não tá ou tá talvez? Não sei, acho que sim. Então tchau. Ah? Então tá, tchau.



Bu! Voltei. Detesto pessoas que conversam assim. Conheço aos montes. Não vou citar nomes. Sabem de quem estou falando.

Viajar por 13 meses? Estranhão...

A.







segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

New members, click here to sign up now

Ah, agora o Diário Pastel conta com mais um adepto! Opa, desculpe. Adepta!

A idéia de colocar o endereço no orkut (isola, bate três vezes, atchim, irgh!) fez o número de visitas semanais aumentar vertiginosamente de aproximadamente zero para duas.

Não era esse o desejo. A príncipio a idéia era escrever para que apenas eu (ou nem isso) lesse depois. Mas hoje, vejam só, estão tentando me candidatar ao IBest. Já neguei três telefonemas do Jô.

Não. Continuo solitário (não sozinho) no meu cubículo, direto da fonte mais amarga, de cima do mais profundo dos penhasco, na mais vívida e alegre depressão a vos (me) escrever.

A.



sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Whispering

Ao certo que espiava curiosamente as fábulas e sonhos perdidos. Não importava o quanto pequeno fossem, eram seus e de mais ninguém. Pela terceira vez, corria contra o tempo enquanto a via passar. Bela, sublime e única. Única. Talvez era essa o motivo...

Alou! Desculpem-me pelo tempo afastado. Sento novamente no espaço cibernético que nos rodeia e, assumindo o controle do tempo (?), não respondo pelas minhas futuras atitudes.

Câmbio desligo.

Over.

A.



sexta-feira, 24 de setembro de 2004

Boring

Alguém se lembra da época em que se comprava pela Internet hoje e o pedido chegava amanhã?

Pois é. Quem não é dessa época precisa rezar muito para que as coisas voltem a ser como eram antes.

Há alguns dias pedi um livro na Saraiva usando cartão de crédito e o site ficou marcando dois dias como PEDIDO EM ANÁLISE. Só hoje chegou um e-mail me pedindo para ligar em São Paulo (nem é 0800!) e confirmar meus dados. Pois liguei e não é de ver que a senhorita ainda disse que a administradora do meu cartão vai ter de me ligar em 48hrs para me confirmar mais dados?

Ou seja, aquele "ENTREGA PREVISTA: 2 dias úteis" é só pra dar água na boca mesmo... Segundo a atendente, a postagem demorará cerca de uma semana.

A.

domingo, 29 de agosto de 2004

Olimpíadas



Não aguento mais ver atleta. Toda vez que ligo a TV tem um chinesinho recebendo medalha. Não aguento mais ver medalha e nem chinês.

Sugestões para o Brasil ter ganho mais medalhas: 1) incluir outras modalidades, como palitinho, truco, reco-reco, pega-vareta e bronha! 2) proibir o AGOURÃO Bueno, secador oficial das Olimpíadas, de narrar os jogos. 3) proibir música baiana como animação de torcida.

E eu sei como as meninas do futebol podiam ter ganho das americanas. Deviam ter entrado em campo com aquelas máscaras do Bin Laden. E em natação que levamos um nabo sincronizado?!



A.

sexta-feira, 6 de agosto de 2004

Óbvio utopicum

Existem momentos, penso eu, que passamos por uma espécie de centrífuga. Muitos são os pensamentos que carregamos conosco e esses pensamentos precisam de atenção. Quando não temos tempo para eles, eles nos rodeam até que os selecionemos e decidimos quais deles podemos resolver e quais serão agendados para serem revistos em tempo oportuno.

Assim, a vida, em sua majestosa dança, nos convida para refletir. Nesses momentos precisamos desligar, mesmo que seja temporariamente, para compreender os passos da dança.

Portanto, não se preocupe com as indecisões e inquietações, pois aqueles que estão buscando se encontrar, estão, na verdade, desvelando caminhos. A resposta não parece estar no resultado, mas na maneira como nós nos transformamos para poder atingi-lo.

A.

segunda-feira, 12 de julho de 2004

Stonecold



Enhancing? Não, dessa vez passou longe. À ambientes polares ainda me permito estar aqui, com as mãos intáteis, a poluir esse ciber espaço que me rodeia.

Me lembro das características barrocas, porém teria aprendido melhor se já tivesse anteriormente estado aqui. Os que não sentem os pés no momento, como este que vos fala, saberiam bem o que é isso.

Enfim, dessa vez, sem maiores males a difundir, a fins de propagar o bem estar e o bom convívio social, despeço-me com um frio (?!) aperto de mão.

Salut,

A.



quinta-feira, 1 de julho de 2004

Covenant

Hoje fui contemplado com uma serenata em que gritavam "temos curau e pamonha, o puro creme do milho, pamonha, pamonha, pamonha de Piracicaba." Alilás, acho que o saudoso "O mundo da Lua" foi baseado na minha rua, onde tuuudo pode acontecer. Esses dias foi assalto ao meio-dia à uma agência bancária. Bandidos têm seus direitos. À noite, como qualquer pessoa comum, eles têm que dormir. Afinal, amanhã é um novo dia de trabalho. E, diga-se de passagem, trabalho que dê dinheiro assim, hoje em dia, não se pode descartar.

Ah, um peso a menos. Consegui aprovação em lógica. Agora o próximo passo é mais fácil: me livrar da faculdade!

Vou-me com um abraço efusivo e com uma frase com que os povos antigos costumavam se despedir:

Tchau!



A.

quinta-feira, 17 de junho de 2004

Algumas palavras

Eis-me de volta ao modesto espaço eletrônico que ajudo a poluir, sempre com algum remorso, o mesmo que sinto quando dou partida no carro, liberando gases tóxicos, acho que monóxido de carbono, ou soprando a perfumada fumaça do meu Partagas que o amigo Miro nunca deixa de me abastecer.

Tudo continua como antes. Ninguém faz falta neste mundo, nem no outro, citarei de memória uma das melhores frases de Machado de Assis, tudo é escrito com tinta invisível no nada, tanto neste mundo, como certamente, no outro.

Pra gente ver, as coisas acontecem e ficam parecendo importantes. Semana passada, o George W. Bush, mesmo sendo evangélico, visitou o papa e deu-lhe um presente, a condecoração mais alta que o Estados Unidos concedem a uma personalidade. O papa agradeceu, passou a comenda a um cardeal e reclamou: "O presente que eu queria receber do senhor era a paz".

A.





domingo, 13 de junho de 2004

Crisis

Tava escrevendo algo, mas desisti.

Acontecimentos de ontem ainda me atrapalham.

A.



terça-feira, 1 de junho de 2004

"Cada semana, uma novidade. A última foi que pizza previne câncer do esôfago.

Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.



Dormir me deixa 0 km.

Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha.

Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.

Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.

Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.

E telejornais os médicos deveriam proibir - como doem!

Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar.

Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.

A ! ! cordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde.

E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.

Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muzzarela que previna.

Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.

Conversa é melhor do que piada.



Beijar é melhor do que fumar.

Exercício é melhor do que cirurgia.

Humor é melhor do que rancor.

Amigos são melhores do que gente influente.

Economia é melhor do que dívida.

Pergunta é melhor do que dúvida.

Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada.

Sonhar é melhor do que nada."





Dizem que é Luis Fernando Veríssimo ...



A.